No Pais do ALiCE e no Facebook

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Gruyères

No último final de semana, o primeiro de Outubro, meu irmão, Marcelo, que estava em viagem profissional pela França aproveitou para dar uma esticadinha até aqui. Ficou hospedado em nosso humilde apartamento e possivelmente voltou com alguma dor nas costas por dormir no "leito de hóspedes", também conhecido como sofá.

Para ganharmos tempo nas locomoções alugamos um carrinho. Na reserva achei que ia vir um Fiesta ou Corsa, mas acabou vindo um KIA Cee'd, completo, com todos os opcionais que se pode imaginar. Muito bom! Pena que justo as fotos que tirei do carro, por algum motivo, não saíram.

Bom, o Marcelo chegou na sexta-feira à noite. Pra variar fizemos um jantar baseado em queijos, frios e vinho. Aproveitamos pra colocar alguns assuntos em dia e traçar um roteiro para o final de semana e decidimos: La Maison du Gruyère no sábado e o Chateau Chillon no domingo.

Estava bem frio na sexta (em torno de 40C) e meio chuvoso. Chegou a nevar no Jura (as montanhas aqui atrás de casa). Quando saímos pela manhã estava uns 6 graus. Antes de seguir para Gruyères, fomos visitar a feira de Ferney. Infelizmente, com o tempo chuvoso não é a mesma coisa, pois alguns dos pitorescos não comparecem. Mas mesmo assim vimos a barraquinha do Au Lapin Degolée (vale buscar a tradução). A Andréia quase teve um troço quando viu. E eu e o Marcelo fizemos piadas com os Lapins Degolées o final de semana todo.

Enfim, acabamos rumando para Gruyères por volta de 10:30. Na verdade o nome do lugar é Pringy-Gruyères, que mais parece ser um bairro (ou subdistrito) de Bulle, no Cantão de Fribourg. Nos perdemos algumas vezes, pois não tínhamos GPS, só um mapinha Google impresso. O nível do mapa era tal que tinha indicações do tipo "entre na Estrada Desconhecida por 20 km". Enfim, acabamos achando!

O trajeto foi realmente de uma beleza exemplar. O clima, parcialmente chuvoso, proporcionou-nos uma viagem que tinha visibilidade suficiente para ver as árvores, coloridas pelo outono, e o topo de boa parte das montanhas, ao mesmo tempo que nessas últimas, nevava. Sim o trajeto todo foi nevado ao nosso redor, mas não no nosso caminho.

Chegando em Bulle ficamos encantados com a beleza da cidade. Num dado momento começou um certo trânsito e começamos a achar que era por causa das visitas à Maison du Gruyère. Mais à frente descobrimos que na verdade era uma espécie de festival anual, que tivemos a imensa sorte de presenciar. Era uma espécie de ritual de encerramento do verão, no qual os camponeses, vestidos à caráter, desciam com seus rebanhos inteiros de vacas milka do alto das montanhas para protegê-las do inverno. As vacas também estavam "vestidas" para a festa, com adornos presos à cabeça, ao corpo e aos seus (imensos) sinos.



Quando finalmente chegamos a Pringy-Gruyères, tivemos a visão de um castelo no alto de uma montanha, que viemos a saber depois que era a vila de Gruyères. Tentamos ir até lá, mas foi justamente no momento mais frio e chuvoso do dia (fazia em torno de 4 graus). Então decidimos ir primeiro à Maison du Gruyère para depois, se parasse a chuva, subir até a vila.

Chegando na Maison, acompanhamos as explicações do procedimento de fabricação dos famosos queijos Gruyère, a começar do processo de alimentação das vacas, da história e inclusive dos aromas da montanha (existiam uns "provadores de odores" lá). Depois vimos como funcionava todo o processo de ordenha, seleção do leite, e fermentação, até o armazenamento. Foi muito legal.



E como já fazia tempo que tínhamos visto os lapins degolées, começou a bater uma fome. Comemos ali mesmo, pratos típicos suíços, feitos com o melhor e original queijo gruyère. Sensacional.

Quando terminamos de almoçar, não só não tinha parado de chover, como a temperatura tinha caído para 3 graus. Resolvemos voltar pra Genebra, pois ainda queríamos levar o Marcelo para conhecer o centro histórico. No caminho, a chuva começou a engrossar e a temperatura caiu a 2 graus! As gotas começaram a tomar uma forma meio estranha quando batiam no pára-brisa e concluímos que devia ser uma "pré-neve". Deu um certo medo, mas tudo bem. Conforme a altitude foi diminuindo a temperatura foi aumentando e a chuva diminuiu.

Chegamos em Genebra, mas resolvemos antes passar em Ferney. Quando fomos para o centro estava um pouco tarde e acabamos voltando para Ferney e comemos na pizzaria do centro da cidade (aquela do post anterior).

No dia seguinte fomos ao castelo Chillon. Como eu já fui lá e já fiz um post sobre isso (veja aqui) vou me resumir a dizer que a Andréia e o Marcelo gostaram muito. Eu também gostei, pois pude notar coisas que não vi da primeira vez. Na saída a gente deu uma volta por Montreux. Uma cidade de fato muito bonita, e como meu irmão bem observou, um tanto parecida com Mônaco. Diferentemente do dia anterior, o clima estava muito mais ameno e agradável. Tanto que tomamos sorvete à beira do Lago Léman (lago Genebra).

Na volta, tínhamos que fazer uma "parada obrigatória" em Lausanne. Isso porque crescemos no bairro paulistano batizado em homenagem à essa cidade. Houve alguns pedidos explícitos de tirarmos fotos de lá feitos pelo meu pai e pelo meu primo Nilton.

Voltamos então para Genebra e finalmente passeamos no centro histórico (ver esse post). Pra finalizar o domingo e bem o final de semana, acabamos jantando um fondue num restaurante do centro histórico.

Enfim, foi um final de semana como poucos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ferney Voltaire

Vou falar um pouquinho da cidadezinha onde a gente vive: Ferney-Voltaire.

É uma cidade muito antiga, originalmente chamada Fernex. Assim como várias outras cidades e vilas na região (Gex, Oyonnax, Saconnex), ela era terminada em "x" devido herança cultural gaulesa (lembra do Asterix?). Aqui era a região conhecida pelos romanos como Gália Transalpina.

Aí, no século XVIII, apareceu o senhor Voltaire, filósofo, poeta e escritor. Ele já era influente na França quando chegou por aqui. Veio de mudança pra Genebra, mas acabou desistindo de morar lá pois as leis da cidade eram muito conservadoras para permitir que as peças teatrais de sua autoria pudessem ser exibidas por lá. Então ele veio a Fernex, e aqui montou um teatro, onde apresentava suas peças. O público era todo de Genebra, que vinha até aqui para poder apreciar os espetáculos. Fico pensando que se hoje, de ônibus (ou automóvel) leva-se 25 minutos para vir do centro de Genebra até aqui, imagine no século XVIII...

Voltaire contribuiu muito para o desenvolvimento de Fernex, pois além de sua influência social, cultural e política ele chegou a doar dinheiro para melhorias na cidade. Com tanta influência ele foi nomeado "protetor" (não lembro a expressão correta) da cidade e já sentindo-se meio dono do lugar resolveu mudar o nome da cidade para Ferney, pois ele achava que já tinha muita coisa terminada com "x", por aqui.

Após a morte de Voltaire, a cidade foi rebatizada, por decreto presidencial (ou real, sei lá) para Ferney-Voltaire.

Hoje, além do centro histórico, bem interessante, ela abriga uma grande comunidade de anglófonos. O motivo eu ainda não consegui descobrir qual é. Mas até propaganda do Obama já vimos na feira da cidade. Aliás, essa feira é uma das atrações da cidade, com mercadorias pitorescas e típicas. No centro histórico também há uma excelente pizzaria, da qual eu e a Andréia já estamos nos tornando habituées.

As fotos que coloco aqui foram tiradas no domingo, 28/09/2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A chegada da Andréia

Com mais de um mês de atraso, enfim o post do final de semana que a Andréia chegou junto com os pais dela e mais uma amiga deles. Eles chegaram na sexta-feira, 29/08/08 por volta das 15:00, vindos de Viseu, Portugal. Houve uma certa polêmica entre eles sobre como vir de Portugal pra cá, mas a amiga convenceu os pais da Andréia a virem de ônibus. Ficaram 24 horas na estrada! Que sofrimento... Acho que a tiazinha estava mal informada e acabou convencendo a todos optarem pela pior opção. Mas enfim, agora já foi.

Apesar do cansaço o final de semana em que eles estiveram por aqui foi bem agradável. O sábado nem tanto, pois perambulamos por Genebra correndo atrás de um sobrinho da tal amiga que mora por aqui. Mas a viagem não foi de toda perdida, pois acabaram encontrando os chocolates que eles tanto procuravam.

No domingo, como a senhôra encontrou o sobrinho, foi convidada a passar o dia com ele. Aproveitando o ensejo, pudemos ficar mais à vontade e fazer um passeio mais interessante.

Fomos ao centro histórico de Genebra, visitamos as catedrais católica e protestante. Muito interessante as diferenças. Caminhamos à beira do lago e acabamos indo parar num restaurante português que eu havia reparado no dia anterior. Fiz questão de levá-los lá pois o Sogrão estava meio amoado com o fato de não conhecer os pratos e ter dificuldades em pedir a comida.

Chegando no restaurante foi uma festa. Já na porta, com o garçon nos atendendo em português os ânimos começaram a mudar. Como se não bastasse, ao adentrar o recinto descobrimos que os donos eram também de Viseu. Acabaram por nos convidar pra passar lá à noite que tocariam uns fados e assim foi. Ao final do domingo estavam todos muito contentes.

Na segunda eles preferiram ficar em Ferney. Como eles estavam hospedados no hotel do outro lado da rua, foi fácil. Logo de manhã vieram até aqui, mas tive que deixá-los pois tinha que ir trabalhar. Eles gostaram do ambiente e do jeito da cidadezinha, mais acolhedor do que Genebra.

Na terça-feira os pais da Andréia voltaram pra Portugal, junto com a amiga deles. Não fiquei aqui até a hora da despedida mas sei que rolou uma certa choradeira, afinal teriam que deixar a filhinha por aqui...

Aliás, não foi por acaso que eu preferi não comentar muito sobre eu e Andréia, afinal depois de 1 mês sem nos vermos, é melhor não comentar nada...

Enrolando o blog

Tenho um monte de coisas novas pra postar no blog e algumas outras que nem são tão novas assim. Estou meio de rosca, admito, mas tentarei colocar pelo menos dois posts hoje à noite.