Alguns de vocês podem já ter visto em algum noticiário que na sexta-feira passada, 19/09, houve um incidente num dos setores do LHC que acabou culminando com o vazamento de gás hélio. O hélio é usado para manter os ímãs em temperaturas extremamente baixas de forma que se tornem supercondutores.
O problema é que com o vazamento de hélio a temperatura sobe alguns graus, tornando impossível operar o ímã, pois este perde a supercondutividade. Para corrigir o problema é necessário que se encontre a fonte de vazamento para debelá-la. Mas para isso o setor inteiro precisa ser trazido à temperatura ambiente e isso leva algum tempo.
O tempo estimado para o conserto é de alguns dias, mas o tempo necessário para reaquecimento e depois o resfriamento completo do setor é em torno de 2 meses. Ou seja, teremos dois meses de atraso, o que acaba sendo um pouco frustrante...
Mas sempre há que se aproveitar o lado bom. Alguns componentes do ALICE ainda não estavam 100% instalados e outros necessitavam de pequenos ajustes, o que só seria possível quando o LHC parasse por um longo período. Portanto, essa parada indesejada vai nos dar tempo para preparar o ALICE para coletar dados de melhor qualidade e até mesmo em maior quantidade (mais dados por colisão). Isso pode economizar algum tempo na análise e compensar um pouco o atraso.
O caderno de ciência da Folha de São Paulo de 22/09/08 traz uma matéria sobre o caso e o reporter me procurou para ajudar a esclarecer e comentar sobre o caso. A reportagem completa pode ser lida por assinantes da FSP ou do UOL
aqui.