No último final de semana, o primeiro de Outubro, meu irmão, Marcelo, que estava em viagem profissional pela França aproveitou para dar uma esticadinha até aqui. Ficou hospedado em nosso humilde apartamento e possivelmente voltou com alguma dor nas costas por dormir no "leito de hóspedes", também conhecido como sofá.
Para ganharmos tempo nas locomoções alugamos um carrinho. Na reserva achei que ia vir um Fiesta ou Corsa, mas acabou vindo um KIA Cee'd, completo, com todos os opcionais que se pode imaginar. Muito bom! Pena que justo as fotos que tirei do carro, por algum motivo, não saíram.
Bom, o Marcelo chegou na sexta-feira à noite. Pra variar fizemos um jantar baseado em queijos, frios e vinho. Aproveitamos pra colocar alguns assuntos em dia e traçar um roteiro para o final de semana e decidimos: La Maison du Gruyère no sábado e o Chateau Chillon no domingo.
Estava bem frio na sexta (em torno de 40C) e meio chuvoso. Chegou a nevar no Jura (as montanhas aqui atrás de casa). Quando saímos pela manhã estava uns 6 graus. Antes de seguir para Gruyères, fomos visitar a feira de Ferney. Infelizmente, com o tempo chuvoso não é a mesma coisa, pois alguns dos pitorescos não comparecem. Mas mesmo assim vimos a barraquinha do Au Lapin Degolée (vale buscar a tradução). A Andréia quase teve um troço quando viu. E eu e o Marcelo fizemos piadas com os Lapins Degolées o final de semana todo.
Enfim, acabamos rumando para Gruyères por volta de 10:30. Na verdade o nome do lugar é Pringy-Gruyères, que mais parece ser um bairro (ou subdistrito) de Bulle, no Cantão de Fribourg. Nos perdemos algumas vezes, pois não tínhamos GPS, só um mapinha Google impresso. O nível do mapa era tal que tinha indicações do tipo "entre na Estrada Desconhecida por 20 km". Enfim, acabamos achando!
O trajeto foi realmente de uma beleza exemplar. O clima, parcialmente chuvoso, proporcionou-nos uma viagem que tinha visibilidade suficiente para ver as árvores, coloridas pelo outono, e o topo de boa parte das montanhas, ao mesmo tempo que nessas últimas, nevava. Sim o trajeto todo foi nevado ao nosso redor, mas não no nosso caminho.
Chegando em Bulle ficamos encantados com a beleza da cidade. Num dado momento começou um certo trânsito e começamos a achar que era por causa das visitas à Maison du Gruyère. Mais à frente descobrimos que na verdade era uma espécie de festival anual, que tivemos a imensa sorte de presenciar. Era uma espécie de ritual de encerramento do verão, no qual os camponeses, vestidos à caráter, desciam com seus rebanhos inteiros de vacas milka do alto das montanhas para protegê-las do inverno. As vacas também estavam "vestidas" para a festa, com adornos presos à cabeça, ao corpo e aos seus (imensos) sinos.
Quando finalmente chegamos a Pringy-Gruyères, tivemos a visão de um castelo no alto de uma montanha, que viemos a saber depois que era a vila de Gruyères. Tentamos ir até lá, mas foi justamente no momento mais frio e chuvoso do dia (fazia em torno de 4 graus). Então decidimos ir primeiro à Maison du Gruyère para depois, se parasse a chuva, subir até a vila.
Chegando na Maison, acompanhamos as explicações do procedimento de fabricação dos famosos queijos Gruyère, a começar do processo de alimentação das vacas, da história e inclusive dos aromas da montanha (existiam uns "provadores de odores" lá). Depois vimos como funcionava todo o processo de ordenha, seleção do leite, e fermentação, até o armazenamento. Foi muito legal.
E como já fazia tempo que tínhamos visto os lapins degolées, começou a bater uma fome. Comemos ali mesmo, pratos típicos suíços, feitos com o melhor e original queijo gruyère. Sensacional.
Quando terminamos de almoçar, não só não tinha parado de chover, como a temperatura tinha caído para 3 graus. Resolvemos voltar pra Genebra, pois ainda queríamos levar o Marcelo para conhecer o centro histórico. No caminho, a chuva começou a engrossar e a temperatura caiu a 2 graus! As gotas começaram a tomar uma forma meio estranha quando batiam no pára-brisa e concluímos que devia ser uma "pré-neve". Deu um certo medo, mas tudo bem. Conforme a altitude foi diminuindo a temperatura foi aumentando e a chuva diminuiu.
Chegamos em Genebra, mas resolvemos antes passar em Ferney. Quando fomos para o centro estava um pouco tarde e acabamos voltando para Ferney e comemos na pizzaria do centro da cidade (aquela do post anterior).
No dia seguinte fomos ao castelo Chillon. Como eu já fui lá e já fiz um post sobre isso (veja aqui) vou me resumir a dizer que a Andréia e o Marcelo gostaram muito. Eu também gostei, pois pude notar coisas que não vi da primeira vez. Na saída a gente deu uma volta por Montreux. Uma cidade de fato muito bonita, e como meu irmão bem observou, um tanto parecida com Mônaco. Diferentemente do dia anterior, o clima estava muito mais ameno e agradável. Tanto que tomamos sorvete à beira do Lago Léman (lago Genebra).
Na volta, tínhamos que fazer uma "parada obrigatória" em Lausanne. Isso porque crescemos no bairro paulistano batizado em homenagem à essa cidade. Houve alguns pedidos explícitos de tirarmos fotos de lá feitos pelo meu pai e pelo meu primo Nilton.
Voltamos então para Genebra e finalmente passeamos no centro histórico (ver esse post). Pra finalizar o domingo e bem o final de semana, acabamos jantando um fondue num restaurante do centro histórico.
Enfim, foi um final de semana como poucos.
De cara com o homem pré-histórico
Há 17 anos
3 comentários:
Fiquei com vontade de ir nesse Maison du Gruyère...
Até consegui descobrir que Lapin é coelho, mas o Degolée não, por acaso é degolado?
hehe
é, a idéia é essa. O termo correto é egorgée, mas fica muito mais engraćado como degolée.
Adorei as vacasa Milka!! rs
Tudo muito lindo aí!
e ótimo ver a carinha de vcs tão felizes!
bjos
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